Contratação no setor de petróleo e gás deve crescer até 40% em 2012

Data: 28/02/2012
Fonte: O Globo

Em alta e com déficit de mão de obra, o setor de petróleo e gás registrou aumento significativo da contratação em 2011, e a previsão é de que o número continue a subir em 2012. Pesquisa da Asap (consultoria de recrutamento e seleção de executivos de média gerência) no Rio registrou um crescimento do recrutamento de executivos do setor de mais de 50% em 2011, em relação a 2010. Para 2012, a estimativa é de que haja um aumento de 30% a 40% na efetivação de engenheiros para cargos de gestão no estado.

- O Brasil está se preparando para explorar de fato as reservas de recursos minerais descobertas nos últimos anos. As empresas exploradoras ainda estão se estruturando, por isso a demanda por profissionais especializados crescerá em 2012 – diz Rafael Meneses, sócio-gerente da Asap no Rio. – A demanda só não aumentará proporcionalmente mais do que ocorreu em 2011 porque muitas companhias se anteciparam e efetivaram mais executivos, então, já por conta dos projetos deste ano.
Recrutadores dizem que o perfil dos profissionais de nível universitário da área é de engenheiros que tenham experiência com coordenação de pessoas e de grandes projetos, o que, segundo eles, ainda é difícil de achar. Outra grande dificuldade, informam, é encontrar esses engenheiros com um bom nível de inglês. Por incrível que possa parecer, muita gente não consegue oportunidade maior de crescimento por conta da falta de fluência no idioma.

Outra demanda que tem crescido cada vez mais no setor de petróleo e gás é por profissionais de recursos humanos especializados. Isso porque é necessário treinar os gestores e desenvolver políticas adequadas de retenção de talentos, procedimentos que devem estar bem adequados às especificidades da área.

- Os profissionais de recursos humanos em petróleo e gás estão tão valorizados que as grandes companhias do setor estão aumentando a remuneração deles e lhes oferecendo chances de passarem pelo menos um ano no exterior – conta Meneses.
O aquecimento econômico brasileiro, com a baixa oferta de profissionais qualificados em diferentes segmentos de Norte a Sul do país aliada ao imediatismo da geração Y, surte reflexos na formação de líderes. Uma enquete feita pela Asap mostrou que 58% de 696 profissionais de petróleo e gás ouvidos não consideram seus gestores bons líderes.

- Esse número pode revelar uma falta de preparação comportamental dos atuais líderes, que assumem uma posição de gestão muito cedo e falham em alguns atributos na hora de motivar, engajar, comunicar e envolver os seus subordinados, o que é característica fundamental da liderança – explica Meneses. – As empresas do setor estão começando a mostrar preocupação em formar líderes dentro de casa, e, para isso, uma das formas encontradas é investir na retenção dos talentos e focar em contratações de profissionais alinhados com a cultura corporativa em primeiro lugar, para depois avaliar a técnica.

Cresce número de mulheres estudando para serem técnicas na área

A área técnica, no entanto, ainda é a que tem maior déficit de profissionais, porque envolve maior número de pessoas. Tanto é que, segundo a Petrobras, até 2015, vão surgir mais de 50 mil vagas por ano para técnicos na indústria de petróleo, gás e energia – além do segmento naval. Os principais nichos em que esses profissionais são necessários são os de soldagem, equipamentos pneumáticos, hidráulicos e de manutenção de máquinas.
Segundo Samuel Pinheiro, diretor do Petrocenter (escola técnica voltada para formação de mão de obra em petróleo e gás), o número de mulheres estudando na instituição aumentou de menos de 10%, em 2008, para quase 30% agora:

- As mulheres estão entrando com todo gás na área. Elas são mais cuidadosas e detalhistas, por isso são muito apreciadas para o acabamento do trabalho de soldagem, por exemplo.
Ainda segundo Pinheiro, para ser um técnico da área é necessário ser disciplinado e centrado, pois é importante seguir as regras de segurança.

- Quem é criativo demais, quer reinventar as coisas, não se adapta a este mercado. O ideal é saber seguir as regras, porque errar, neste ramo, é como um médico errando no hospital: pode ser fatal para a própria pessoa e para outros, sem falar dos danos ambientais – explica.

  • Wellington Vieira01

    estou estudando engenharia de petróleo e espero não está enganado pois ainda não encontrei estágio mesmo estando no 6º semestre.

  • Murilo Diogo

    Eu mesmo tô me qualificando nessa mão -de obra que carece no mercado. Não podemos esquecer que a Petrobrás merece aplausos, ela com certeza é o nosso orgulho!

  • Antonio

    Esperamos que a PETROBRAS invista muito mais em seguraça do trabalho pois os funcionários são obrigados a correr risco em um helicóptero diaramente para chegar ate as plataformas.