Um dia com os embarcados da Petrobras

Data: 24/02/2013
Fonte: NNPetro, Portal Brasil

Existe vida em alto-mar. E muita vida. São em média 180 profissionais, entre brasileiros e estrangeiros, homens e mulheres, que passam duas semanas por mês longe da terra firme, distante dos amigos e parentes, em alguma das 130 plataformas (86 fixas e 47 flutuantes) da Petrobras em operação, espalhadas pelos 151mil km² de área exploratória de petróleo no Brasil. É tanta gente que é preciso montar a estrutura de cidade para alimentar, fornecer energia elétrica e comunicação, além de garantir lazer para quem vive quase seis meses por ano cercado por água de todos os lados.

Cada um dos funcionários embarcados, termo utilizado para quem deixa o continente para trabalhar no meio do Atlântico, fica alocado em camarotes divididos por até quatro petroleiros. A vida para parte da tripulação começa de madrugada enquanto para outros só se inicia no pôr do sol. O turno de 24 horas dividido em duas equipes permite atividade o tempo todo.

Há cinco tipos de plataformas para exploração e produção de petróleo e gás: as fixas ficam presas no fundo do mar, as FPSOs (sigla em inglês para Flutuante, Produção, Armazenamento e Descarregamento) são navios com capacidade para processar e armazenar o petróleo. Os navios sonda são projetados para a perfuração de poços submarinos, as semissubmersíveis ficam apoiadas por colunas em flutuadores submersos e com muita mobilidade e as autoeleváveis são plataformas móveis, transportadas por rebocadores ou por propulsão própria.

A P-51, que custou US$ 1,2 bilhão (R$ 2,1 bilhões em valores atuais), começou a operar em janeiro de 2009, acomoda 200 profissionais em seus 125 metros de comprimento por 110 metros de largura. Localizada na Bacia de Campos, está ancorada a uma profundidade de 1.225 metros e está a 150 quilômetros de distância da costa. Com vida útil de 25 anos, uma das mais novas plataformas da Petrobras tem capacidade de produção de 180 mil barris por dia e gera 110 megawatts, o suficiente para iluminar uma cidade de 300 mil habitantes.

Engenheiros, eletricistas, caldeireiros, mecânicos, profissionais de hotelaria, professores de educação física, rádio-operadores, mergulhadores e técnicos de diversas áreas são os profissionais que mantêm o funcionamento das ilhas que buscam petróleo no fundo do mar. Com todo o funcionamento automatizado, esses profissionais passam o dia monitorando equipamentos pesados, guiando sondas por computadores, analisando o que vem debaixo da água ou simplesmente cuidando de quem está ali, desde a temperatura do ar condicionado da plataforma, passando pelo aspecto físico e psíquico dos funcionários, chegando ao que será servido em uma das até oito refeições diárias.

A vida dos petroleiros não se resume a apenas trabalho: há tempo para descanso – considerado fundamental devido à periculosidade da atividade –, diversão, festas de confraternização, práticas esportivas e religiosas. Na maior parte das plataformas da Petrobras há academia de ginástica, quadra de futebol, sala de televisão, cinema, jogos e música. E claro, o contato com quem está no continente, garantido por telefone ou pela internet. Os funcionários, em seus camarotes, têm a liberdade para levar equipamentos de TV, DVD e lembranças para tentar conter a saudade da vida que deixaram quando entraram no helicóptero para a extensa jornada de trabalho.

  • Leandro

    Também gostei muito. Parabéns ao administrador do site!

  • Bruno Pamplona

    Muito boa reportagem!